Bactérias vindas da boca do paciente, pelas mãos dos cirurgiões dentistas e assistentes, por gotículas eliminadas durante os procedimentos, pelo aerossol contaminante ou pelos instrumentais e superfícies de equipamentos odontológicos. Esses são alguns dos modos de contaminação que todas as superfícies de consultório odontológico estão expostas diariamente. Além disso, a alta rotatividade de pacientes e a utilização de instrumentos rotatórios contribuem ainda mais na disseminação de microrganismos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ¼ dos pacientes que frequentam os consultórios levam consigo várias doenças que podem ser difundidas aos outros pacientes, ao dentista e sua equipe. Esse fato coloca os profissionais de odontologia no 3º lugar entre os profissionais infectados.

Dentre as doenças mais comuns encontradas estão: catapora, conjuntivite herpética, herpes simples, herpes zoster, mononucleose infecciosa, sarampo, rubéola, pneumonia, papilomavírus humano, HIV, tuberculose, além das hepatites tipo C e B, em que os dentistas são respectivamente 13 e 6 vezes mais suscetíveis de contrair.

Com o passar do tempo as superfícies dos equipamentos odontológicos e periféricos têm sido aprimoradas, como é o caso das cadeiras e mochos odontológicos que são fabricados com revestimentos de materiais impermeáveis, laváveis e sem costuras. Ou então as mangueiras lisas, as cuspideiras podem ser retiradas para lavagem, as pontas dos equipos são autoclaváveis e, de modo geral, apresentam superfície lisa ou com poucas ranhuras. Mesmo assim é fundamental realizar os procedimentos de limpeza e desinfecção ou esterilização de forma adequada, seja a cada atendimento, ou no final de todos os atendimentos.

 

Quais são os principais de riscos de contaminação em superfícies?

Uma das formas mais comuns de contaminação no consultório odontológico é a infecção cruzada. Segundo Samaranayake, Sheutz e Cottone infecção cruzada é a transmissão de agentes infecciosos entre pacientes e equipe, dentro de um ambiente clínico, cuja transmissão pode resultar do contato pessoa-pessoa ou através de objetos contaminados, que são denominados agentes.

Por meio do contato direto de dedos, instrumentos e respingos de sangue e saliva, agentes patogênicos podem ser transmitidos da cavidade bucal do paciente para as superfícies do equipamento odontológico. Bem como em um contato indireto esses agentes também podem ser transferidos. A contaminação intensifica-se nos consultórios pelo uso de equipamentos que produzem aerossóis, por meio deles os microrganismos podem ser lançados e espalhados até aproximadamente 1 metro ao redor do campo operatório. O aerossol salivar é considerado o meio mais comum nas transmissões de doenças infecciosas em consultórios odontológicos.

Segundo Piazza, se em todos os procedimentos clínicos é impossível evitar a contaminação ambiental, a manipulação de materiais com potencial de infecção deve ser executada com cuidado, tentando minimizar a formação de gotas, respingos e aerossóis. A transmissão de doenças pode ser prevenida através da compreensão dos princípios de transmissão de doenças e da utilização de controles de infecção sobre as práticas dentárias.

Como evitar a infecção cruzada?

O uso de barreiras mecânicas, proteção do profissional e paciente, esterilização de instrumentais e desinfecção de superfícies e equipamentos são as melhores alternativas para evitar a infecção cruzada.

Para o dentista jamais pode faltar o uso dos equipamentos de proteção individual (EPI’s), assim como uma assepsia entre os atendimentos. A finalidade do uso de EPI é impedir que microrganismos provenientes de pacientes por meio de sangue, fluidos orgânicos, secreções e excreções de pacientes contaminem o profissional de saúde e sua equipe. Os equipamentos de proteção individual incluem luvas próprias para cada procedimento, avental impermeável, gorro, máscara e óculos de proteção.

Os microrganismos que contaminam as superfícies são transmitidos aos pacientes ou profissional da saúde principalmente por meio do contato da mão. Quando estas superfícies são tocadas, agentes microbianos podem ser transferidos aos instrumentos, outras superfícies ambientais, nariz, boca ou olhos de funcionários ou pacientes.

Além disso, na presença de lesões da pele ou mucosa estes microrganismos, incluindo os transmitidos pelo sangue, podem entrar no hospedeiro.

 

A importância da limpeza e desinfecção de superfícies

A limpeza e desinfecção de superfícies em consultórios são indispensáveis nas medidas de controle de infecção. A finalidade desses procedimentos é principalmente preparar o ambiente para o atendimento profissional, por meio da manutenção da ordem e conservação de equipamentos e instalações. Assim é possível evitar a disseminação de microrganismos responsáveis pelas infecções referente à assistência na clínica ou consultório.

Limpeza e desinfecção são procedimentos distintos que se realizam nas superfícies, quando há uma superfície contaminada é necessário primeiramente a limpeza e em seguida a desinfecção.

Compreende-se limpeza de superfícies a remoção das sujidades depositadas nas superfícies inanimadas aplicando-se meios mecânicos (fricção), físicos (temperatura) ou químicos (saneantes), em um determinado período de tempo (BASSO,2004). Independentemente da área a ser limpa, o importante é a remoção mecânica da sujidade e não simplesmente a passagem de panos úmidos para espalhar a sujidade.

Enquanto a desinfecção é o processo físico ou químico que destrói todos os microrganismos patogênicos de objetos inanimados e superfícies, com exceção de esporos bacterianos (BRASIL,1994). Sua finalidade é eliminar microrganismos das superfícies de serviços de saúde, por meio do uso de solução desinfetante. É utilizado após a limpeza de uma superfície que teve contato com matéria orgânica. Definem-se como matéria orgânica todas as substâncias que contenham sangue ou fluidos corporais.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (Centers for Disease Control and Prevention – CDC), o tratamento de superfícies com matéria orgânica difere de acordo com o local e o volume do derramamento, sendo dividida em duas técnicas de desinfecção: com pequena quantidade e com grande quantidade de matéria orgânica (CDC, 2003).

Sempre que houver presença de matéria orgânica em superfícies, essa logo deverá ser removida. Logo depois, realizar a limpeza e, em seguida, a desinfecção. É imprescindível que o local seja rigorosamente limpo antes da desinfecção.

 

É possível limpar e desinfetar ao mesmo tempo?

Com os avanços de pesquisas e tecnologias na área de biossegurança, é possível encontrar atualmente produtos no mercado odontológico que realizam limpeza e desinfecção simultaneamente. O melhor exemplo de produto é o SURFIC®, desenvolvido pela Profilática.  O desinfetante de nível intermediário desenvolvido para limpeza e desinfecção de superfícies e artigos não críticos, com fórmula exclusiva que tem excelente capacidade de descontaminação.

O SURFIC® é altamente compatível com pisos e materiais sintéticos, metálicos entre outros, o que impede de danificá-los. Proporcionando, assim, conservação e maior tempo de vida útil dos mesmos. Não há necessidade de enxágue, o que economiza água e tempo. Esse produto é biodegradável, podendo ser descartado na rede de esgoto sem danos ao meio ambiente. Além de economizar espaço de armazenagem, reduzir o descarte de material plástico e químico.

 

REFERÊNCIAS

ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Segurança do paciente em serviços de saúde: limpeza e desinfecção de superfícies. 2012. Disponível em: < https://goo.gl/TEKGxw >. Acesso em: 26 mar. 2018.

Centers for Disease Control and Prevention – CDC. Guidelines for environmental infection control Health-Care facilities. Centers for Disease Control and Preventing; 2003. Disponível em <http://www.cdc.gov/mmwr/preview/mmwrhtml/rr5210a1.htm>. Acesso em: 4 mar. 2018.

KNACKFUSS, Paula Laviaguerre; BARBOSA, Thays Consul; MOTA, Eduardo Gonçalves. Biossegurança na odontologia: uma revisão da literatura. 2010. Disponível em: <https://goo.gl/oh2g9z>. Acesso em: 26 mar. 2018.

ANVISA. Serviços Odontológicos Prevenção e Controle de Riscos. 2006. Disponível em: < https://goo.gl/9VdcgM >. Acesso em: 26 abr. 2018.

SAMARANAYAKE LP, Sheutz F, Cottone JA. Controle da infecção para a equipe odontológica. São Paulo: Santos, 1993, p. 146.

PIAZZA M, Guadagnino V, Picciotto L, Borgia G, Nappa S. Contamination by hepatitis B surface antigen in dental surgeries. Br Med J (Clin Res Ed). 1987 Aug 22; 295(6596): 473– 474.

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