Tratamento, Manutenção e Preservação de Instrumentais Odontológicos

BLOCO II

Tratamento, Manutenção e Preservação de Instrumentais odontológicos:

Por: Eridon Araújo:

Eridon Araújo é CEO da empresa Profilática. Higienista com especialização no uso de substâncias químicas em processos de Limpeza, Descontaminação, Desinfecção, Esterilização e Antissepsia, dentro e fora do Brasil, com a experiência de mais de 30 anos na área da Saúde, em especial Controle de Infecções e Biossegurança.

Instrumentais Odontológicos:

O que devo saber para melhor preservá-los ?

O Texto, em Poucas Palavras:

1. Instrumentais requerem uma alta resistência mecânica para o funcionamento adequado.

2. Instrumentais cirúrgicos em aço inoxidável devem atender às rígidas exigências em termos de elasticidade, tenacidade, rigidez, características da lâmina, resistência ao desgaste e resistência máxima possível à corrosão.

3. Os instrumentais médico e odontológicos à base de aço inoxidável são compostos de ferro, carbono, cromo, níquel, manganês, sílica e muitos outros metais em quantidades menores.

4. Uma das qualidades importantes do aço inoxidável que o torna mais resistente à corrosão do que o aço carbono é sua capacidade de se tornar passivo (menos reativo).

5. A diferença de reatividade entre o aço inoxidável e o aço carbono é uma camada de certos metais presentes na superfície do aço inoxidável. Essa camada é chamada de camada passiva.

6. Camadas com mais cromo são geralmente mais passivas; isto é, mais resistentes à corrosão. O cromo é o principal metal responsável pelo comportamento passivo do aço inoxidável.

7. Aço inoxidável não é inoxidável. Portanto, aço inoxidável não significa dizer que ele nunca oxidará.

8. Corrosão é a destruição ou deterioração de um material devido à reação química ou eletroquímica com seu meio.

9. O aço inoxidável é reativo, o que significa que instrumentais em aço inox inevitavelmente irão corroer e ficar manchados sob certas condições.

10. A superfície do instrumental, mesmo composta por aço inox, permite a deposição e fixação de impurezas da água e outros componentes que venham a entrar em contato com ele.

11. Se uma área do instrumental riscada, rompida ou de algum modo desgastada estiver exposta à água, vapor de baixa qualidade na autoclave, temperatura inadequada, umidade, químicos agressivos, etc., a área começará a corroer.

12. O tratamento correto dos instrumentais dentro do consultório odontológico, visando a preservação e durabilidade dos mesmos, é da maior importância e não pode ser negligenciado.

Concepção e Fabricação

Os materiais utilizados para a fabricação de instrumentos cirúrgicos são, de uma certa forma, padronizados mundialmente. Empresas que buscam qualidade na produção de instrumentais médico e odontológicos utilizam aços de cromo com capacidade de endurecimento, com baixo a médio teor de carbono uma vez que a maioria dos instrumentais requer uma alta resistência mecânica para o funcionamento adequado. De fato, um teor de cromo de pelo menos 12,5% é necessário para garantir uma resistência suficiente à corrosão.

Ao produzir instrumentais médico e odontológicos, o fabricante deve projetá-los para adequá-los à sua finalidade, não apenas no projeto (design), fabricação e acabamento, mas também na seleção de materiais adequados. Para instrumentos cirúrgicos, de um modo geral, somente o aço inoxidável pode atender às rígidas exigências em termos de elasticidade, tenacidade, rigidez, características da lâmina, resistência ao desgaste e resistência máxima à corrosão.

Como se compõem os instrumentais de aço inoxidável?

Os instrumentais médico e odontológicos à base de aço inoxidável são compostos de ferro, carbono, cromo, níquel, manganês, sílica e muitos outros metais em quantidades menores. A quantidade de cada um desses componentes depende do grau de aço inoxidável. Geralmente, quanto maior o teor de cromo, mais resistente à corrosão o instrumental é.

Uma das qualidades importantes do aço inoxidável que o torna mais resistente à corrosão do que o aço carbono é sua capacidade de se tornar passivo. A passivação significa “tornar inativo ou menos reativo”. No caso do aço inoxidável utilizado em instrumentos cirúrgicos, a descrição “menos reativo” é mais apropriada.

A diferença de reatividade entre o aço inoxidável e o aço carbono é uma camada de certos metais presentes na superfície do aço inoxidável. Essa camada é chamada de camada passiva. A camada passiva é composta principalmente de óxidos de cromo e ferro. A quantidade de cromo e óxido de ferro varia dependendo do tipo de aço inoxidável. Camadas com mais cromo são geralmente mais passivas; isto é, mais resistente à corrosão. O aço carbono não possui essa camada passiva.

Como se forma a camada passiva e protetora dos instrumentais médico e odontológicos?

Quando as partes do instrumento cirúrgico são feitas pela primeira vez, elas não têm uma camada passiva espessa. Quando essas partes são expostas ao ar, o cromo e o ferro presentes no aço inoxidável são oxidados. Isso forma uma camada ligeiramente passiva na superfície. Uma camada mais passiva é então formada tratando as partes com produtos químicos que removem parte do ferro da superfície, mas deixam o cromo para trás. Isso é chamado de enriquecimento de cromo da superfície. O cromo é o principal metal responsável pelo comportamento passivo do aço inoxidável. Se uma camada mais espessa e mais protetora for desejada, as peças são tratadas ainda mais com produtos químicos que fazem com que a camada fique mais espessa.

Por que o instrumental composto de aço inoxidável não é inoxidável?

Corrosão é a destruição ou deterioração de um material devido à reação química ou eletroquímica com seu meio.

Instrumentais de diversos tipos, compostos por aço inoxidável, acabarão corroídos e manchados. O aço inoxidável é reativo, o que significa que ele irá corroer e ficar manchado sob certas condições. Essa coloração ou corrosão ocorre com muito menos frequência no aço inox do que no aço carbono; mas ocorre! Além disso, enquanto uma superfície de um instrumental pode parecer brilhante e lisa a olho nu, observando sob a lente de um microscópico se constata que a superfície, aparentemente lisa, é na realidade muito áspera. A superfície áspera do instrumental permite a deposição e fixação de impurezas da água e outros componentes que venham a entrar em contato com ele.

Em cada camada passiva existem áreas com uma estrutura específica, onde a camada passiva é muito suscetível ao ataque corrosivo, particularmente quando em um ambiente úmido ou aquoso. Se a camada passiva original for agredida, a simples exposição ao ar formará outra camada passiva onde a ruptura ocorreu. Essa nova camada passiva pode não ser tão espessa quanto a camada original, mas ainda fornecerá alguma proteção. No entanto, a camada passiva rompida deve ter tempo para se reestabelecer na presença de ar. Porém, se a ruptura da camada passiva estiver coberta por resíduos, sujidade orgânica, etc., ela não estará exposta ao ar e, portanto, não poderá se reestabelecer. Além disso, se a área riscada, rompida ou de algum modo danificada estiver exposta à água, vapor, umidade, químicos agressivos, etc., a área começará a corroer.

Portanto, aço inoxidável não significa dizer que ele nunca oxidará.

Sendo assim, o como se realiza o tratamento dos instrumentais dentro do consultório odontológico visando a preservação e durabilidade dos mesmos é da maior importância e não pode ser negligenciado.

Resistência aos repetidos processamentos

Um aspecto muito importante que os fabricantes de instrumentais devem considerar no projeto e desenvolvimento de um instrumental médico e odontológico (PPS) é a necessidade que os mesmos têm de serem processados após o uso (limpeza, desinfecção, esterilização) para que a segurança do paciente e do usuário seja garantida.

Bons resultados de limpeza podem ser obtidos se o instrumental puder ser desmontado o máximo possível. Outro ponto importante é a escolha de materiais considerando que a esterilização a vapor a uma temperatura de 134°C representa o método de esterilização mais importante, os materiais usados devem ser resistentes à temperatura. Normas específicas como a Norma DIN 58946, sustentam que a temperatura máxima aceita durante o processo de esterilização deve ser de 134°C, durante 10 minutos. Entretanto, se a temperatura da autoclave não estiver calibrada, esta temperatura poderá ser excedida prejudicando significativamente a resistência dos instrumentais à corrosão e danos poderão ocorrer.

Referências:

1. DIN EN ISO 7153-1:2017-02 (E) specifies metals commonly used to manufacture various types of standard surgical instruments, including but not limited to those used in general surgery, orthopaedics and dentistry.

2. DIN 58946-7:2014-01 : Sterilization – Steam sterilizers – Part 7: Edificial preconditions, requirements for the services and the operation of steam sterilizers used in health care facilities

3. DIN EN ISO 17665-1:2006-11 : Sterilization of health care products – Moist heat – Part 1: Requirements for the development, validation and routine control of a sterilization process for medical devices

4. Metals Handbook. Materials Properties and Selection. Vol 1.

5. Metals Handbook. Materials Characterization. Vol 10.

Live Instagram – Ácido Peracético e Biossegurança

No dia 26/01/2018 o Diretor da Profilática Sr. Eridon Araújo realizou uma live com a Dra. Maria Paula do @dicasparadentistas para falarem sobre o ácido peracético e biossegurança dos consultórios. Confira abaixo como foi a live.