Descubra de uma forma simples como conquistar a tão almejada licença sanitária na odontologia.

Todo profissional da área de odontologia precisa estar ciente da importância de ações de biossegurança para que seja assegurado condições adequadas no atendimento ao paciente seja no consultório ou clínica de atuação.

Para garantir segurança do ambiente de atendimento tanto para o paciente quanto para os profissionais de odontologia e integrantes que fazem parte da equipe de suporte, é indispensável apresentar as normatizações legais e padrões mínimos de atuação que consolida a regulamentação dos procedimentos.

Muitas ações precisam ser aplicadas em consultórios e clínicas para se chegar ao atendimento ao cliente e seguir principalmente condições legais e ideais. Por ser um assunto que gera muitas dúvidas, dedicamos coletar essas informações para auxiliar você que está começando ou tem interesse em começar seu negócio no ramo de Odontologia. Siga as dicas abaixo!

 

1 – Esteja familiarizado com a ANVISA

Todo estabelecimento de saúde, seja público ou privado, se baseia na implementação de ações de vigilância sanitária e epidemiológica que são direcionadas pelo órgão federal, a Agência de Vigilância Sanitária – ANVISA, que oferece orientações técnicas às Vigilâncias Sanitárias Estaduais, Municipais e Distrito Federal.

É importante destacar que esse órgão visa orientar e educar para garantir produtos e serviços adequados que são oferecidos aos indivíduos dispondo leis, decretos, portarias normativas e instruções relacionadas à Vigilância Sanitária (V.S.). E tendo como objetivo principal de prevenir e não punir.

Tenha mais informações sobre Vigilância Sanitária na Odontologia nesse link da ANVISA.

Postamos no blog os 11 Passos para uma Higienização Correta das Mãos, de acordo com a ANVISA. Fique por dentro de uma higiene adequada em um clique!

 

2 – Esteja sempre por dentro das condições legais

Para se chegar ao grande momento de abertura do estabelecimento de saúde, é importante que o local apresente as seguintes condições legais:

– Alvará de localização e ou construção

– Autorização de funcionamento

– Licença sanitária

– Responsável legal

– Responsável técnico

O alvará de localização é cedido pela Prefeitura Municipal local. Refere-se a licença administrativa que define se o estabelecimento está apropriado para instalação e exercício da atividade, considera-se, assim, a estrutura física. Mediante o parecer positivo é fornecido o alvará de funcionamento.

Após a liberação de funcionamento do estabelecimento, é necessário providenciar a licença sanitária que se refere ao documento expedido por órgão local de vigilância sanitária municipal. Esse documento atesta as condições físicas, fluxos, procedimentos, situações higiênicas, estruturais, operativas, de responsabilidade técnica, recursos humanos, sanitários e libera o desenvolvimento de atividades. O serviço precisa ter essa licença sempre atualizada.

O responsável legal é o próprio proprietário do estabelecimento de serviço de saúde, sendo o que responde administrativamente no cumprimento das determinações da legislação sanitária.

Enquanto o responsável técnico é aquele que está inscrito devidamente no órgão de classe com seu exercício profissional legalizado e que estará desempenhando atribuições específicas para garantir a qualidade e segurança do serviço ao cliente e para o estabelecimento de saúde.

3 – Escolha adequadamente sua equipe de colaboradores

Sempre que for realizar uma seleção de profissionais para cargos e funções que serão importantes no seu negócio, tenha o cuidado em avaliar o desempenho de atribuições específicas e o grau de complexidade das atividades a serem realizadas.

Por exemplo, para a limpeza de superfícies do ambiente (higienização e conservação) é importante que seja um profissional capacitado e ciente das técnicas de limpeza para que haja a preocupação para evitar a contaminação cruzada e/ou transmissão de infecções, uso de equipamentos de proteção adequados. Busque também apresentar essas informações em um manual que seja anualmente revisado.

 

4- Acompanhe como é feito o processamento de artigos

O processamento de materiais e instrumentais apresenta as seguintes etapas:

Sempre que algum artigo entra em contato com o paciente, independente da condição de saúde dele, deve ser considerado contaminado e passível de transmissão de infecção.

Todo contato com materiais usados em pacientes deve-se ter cautela com a proteção individual na manipulação deles por conta do risco de contaminação por meio de respingos de secreções em mucosas, acidente perfurocortante ou contato de secreções com pele exposta por algum ferimento.

Por esse motivo, a utilização de máscaras, toucas luvas de cano longo, óculos protetor, avental de mangas longas e avental impermeável são obrigatórios para qualquer situação de contato com o artigo contaminado. Sendo que máscara, touca e luvas são descartáveis a cada utilização.

 

5 – Atente-se ao descarte correto de resíduos

O estabelecimento de saúde além de apresentar uma responsabilidade social, tem um papel muito importante com o meio ambiente. Por isso é indispensável realizar o descarte adequado de resíduos, bem como passar por um processo de conscientização e reeducação para fazer a separação para o destino correto seja de resíduos comuns, reciclável infectante ou químico. Para que assim minimize a agressão ao meio ambiente, bem como danos severos ao ecossistema.

6 – Repare como são realizadas a higienização e conservação do ambiente

Sabe-se que a difusão de infecção pode ocorrer de duas formas: via endógena por meio das bactérias que estão presentes dentro do organismo e via exógena por meio do ambiente externo, seja as condições de higiene dos instrumentos e equipamentos que entram em contato com o paciente, seja com a equipe profissional que está atuando.

Superfícies, artigos e instrumentais, equipos e até mesmo a constante higienização das mãos precisam ser feitos os procedimentos corretos e a utilização de produtos para cada caso para que não ocorra nenhuma abertura para a contaminação no consultório tanto para o paciente quanto ao profissional.

O uso de desinfetantes, saneantes, esterilizantes, detergentes e antissépticos devem ser recorrentes e sendo aplicados para diferentes situações e ser avaliado se a área ou artigos são críticos, semi-críticos ou não críticos. Por exemplo, para as superfícies de mobiliários e equipamentos recomenda-se a limpeza diária com Surfic que limpa e desinfeta simultaneamente em um único passo, substituindo o uso de água e sabão, para depois ter que aplicar com fricção o desinfetante.

Outros pontos importantes que precisam ser considerados são o responsável pela limpeza que deve manter o uso de EPI’s tendo treinamento e supervisão, a limpeza periódica da caixa d’água, a manutenção preventiva periódica do ar-condicionado e por último, mas não menos importante, o controle periódico de vetores e pragas com medidas preventivas e/ou corretivas.

Dessa forma, por meio das condições de limpeza, como resultado haverá uma minimização e maior controle de disseminação de microrganismos proporcionando uma qualidade sanitária ao local.

7 – Destine a lavagem de roupas usadas no consultório ou clínica para lavanderias com licença sanitária para essa atividade

Avental, lençol de maca para o paciente, campos de algodão para procedimentos e acondicionamento de material precisam ser levados para a lavagem adequada para uma lavanderia específica e autorizada pela licença sanitária para desempenhar esse processo.

Outra alternativa é o uso de material descartável disponível no mercado em diversos tamanhos que serão descartados após cada aplicação.

8 – Busque aplicar no dia-a-dia medidas de biossegurança e paramentação

O número de riscos de acidentes com exposição a material biológico vem crescendo cada vez mais por conta da falta de conscientização. Para minimizar esses riscos de transmissão de infecção e acidentes por exposição, os profissionais devem, durante o atendimento ao paciente, manipulação de resíduos e limpeza dos materiais; tomar precauções padrão e medidas cabíveis para todos os pacientes, independente do seu diagnóstico.

Para isso, são fundamentais a higienização correta das mãos, o uso de barreiras de proteção, equipamentos de proteção individual (EPI’s), como luvas, máscara, gorro, avental e óculos protetor.

Você sabia que…?

As mãos são as maiores geradoras de infecção. Estima-se que 80% das infecções ocorrem por conta de mãos que não foram higienizadas corretamente.

9 –  Os POPS serão seu grande aliado

O POP é o Procedimento Operacional Padrão que visa a padronização e qualidade das atividades no consultório e/ou clínica, bem como a segurança do profissional e paciente diminuindo os riscos e ocorrência de não conformidades, ou seja, é um documento em que se descreve as técnicas e operações a serem exercidas nas atividades do estabelecimento.

Deve apresentar nesse documento:

– Identificação do estabelecimento

– Nome

– Objetivo

– Responsável e local de aplicação do POP

– Descrição da ação

– Identificação e data da elaboração

– Revisão e aprovação

– Referências bibliográficas

Essas descrições não são simples de serem realizadas, porém também não deve ser copiado de livros ou de outros estabelecimentos, visto que cada local tem sua particularidade e diferenças.

10 – Busque sempre a capacitação e treinamento de sua equipe de colaboradores

Alto custo, estresse, aumento do retrabalho, imprudência, insatisfação da instituição, equipe e cliente é o preço a se pagar pelo desconhecimento e o não cumprimento das práticas básicas recomendadas.

Por isso, a equipe de colaboradores envolvidos no atendimento ao paciente deve ser capacitada para exercer as práticas seguras no estabelecimento. Como manter o controle de infecção e biossegurança, em acordo com a legislação vigente, desde o processo do exame até a higienização das mãos, limpeza, desinfecção e esterilização de artigos; limpeza do ambiente e superfícies fixas e o manuseio de resíduos para assegurar os procedimentos livre de riscos.

Você e toda a equipe estejam sempre cercados das questões humana, técnica, ética e legais para conduzir a melhor qualidade possível de atendimento ao seu cliente dentro do seu estabelecimento.

Todas essas dicas aqui apresentadas poderão te auxiliar estar de acordo com as exigências para ter a licença sanitária para seu consultório ou clínica odontológica. Mas lembre-se sempre: o combate a falhas vem por meio da prevenção, por isso, busque sempre se atualizar sobre todos os processos que podem mudar a cada ano.

Referências

ALBRECHT, Lucimara et al. Consultórios & Clínicas: Guia Prático para Aprovação e Operação. 22. ed. Curitiba – Pr: Blanche Edições, 2015. 120 p.

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